Psico-Oncologia: a importância da psicoterapia no tratamento oncológico

25/06/2019 arquivo sem legenda ou nomeAo receber o diagnóstico de uma doença como câncer, tanto o indivíduo diagnosticado quanto sua família e amigos podem ficar muito abalados. “A doença crônica pode produzir consequências como dor, desconforto, baixa autoestima, incerteza quanto ao futuro, ideias suicidas, medos, pânico, transtornos gerais e específicos de conduta, dificuldades no relacionamento familiar e interpessoal, ansiedade, depressão, entre outros” (Evans, 2006; Kersting et al., 2004; King et al., 2006; Miyazaki, Domingos, & Valerio, 2006; Valerio, 2003). Por conta disso, o acompanhamento psicológico, que muitas vezes é deixado de lado, é extremamente importante durante o tratamento do câncer, tanto ao paciente oncológico quanto a família.

É aqui que entra o importante papel da psico-oncologia, uma especialização da psicologia focada em pacientes oncológicos. “A Psico-Oncologia consiste na interface entre a psicologia e a oncologia. São abordadas questões psicossociais que envolvem também o adoecimento acarretado pelo câncer. Utilizam-se estratégias de intervenção que possam ajudar o paciente e seus familiares no enfrentamento e na aceitação de uma nova realidade, promovendo, assim, melhorias na qualidade de vida” (Vianna et al., 2011). “O sofrimento emocional associado a essas doenças, se ignorado, pode acarretar redução significativa na qualidade de vida do paciente e de seus familiares e afetar de forma negativa a adesão aos tratamentos de reabilitação” (Baptista & Dias, 2010; Corring, 2002; Dellve, Samuelsson, Tallborn, & Hallberg, 2006; King et al., 2006; Miyazaki, Domingos, Caballo, & Valerio, 2001). Além de ajudar o paciente, a família precisa igualmente de apoio psicológico por estarem extremamente envolvidos com seu ente querido e, consequentemente, sofrem muito junto dele.

Além de ser considerada uma doença grave e muitas vezes crônica, o câncer também pode ser um tabu em nossa sociedade. Pouco se fala sobre a doença e ainda há certa discriminação por conta dos efeitos do tratamento, como a perda do cabelo, por exemplo. “Eu demorei a falar. Eu percebi que as pessoas não falavam também. Tem gente que nem soube. Quando você conta para as pessoas, tem gente que se desespera, tem gente que quer ficar perto, gente que minimiza. Eu queria evitar ter que contar várias vezes a mesma coisa. As pessoas queriam respostas que eu não tinha. E era uma coisa muito mal resolvida para mim” afirma Anne Warth, diagnosticada com câncer de mama, em entrevista ao Instituto Vencer o Câncer. Por ser pouco falado, gera medo, dúvida e desinformação.

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 Os pacientes não se sentem à vontade para conversar sobre por inúmeros motivos, guardando suas angustias para si mesmos. Novamente, mostra-se a importância do acompanhamento psicológico durante o tratamento oncológico pois, além do impacto do diagnostico da doença e o sofrimento atrelado ao tratamento, fatores comportamentais como o isolamento, que são muito recorrentes nestes pacientes, são de grande importância no desenvolvimento de doenças psicológicas, como a depressão, por exemplo. “Depois que fiz a mastectomia, tive certeza que tinha que fazer terapia porque eu não aguentava mais, tinha raiva, precisava falar tudo o que eu sentia (...) Eu achava que jamais aconteceria comigo. Por muito tempo fiquei pensando o que eu tinha feito para acontecer comigo. Só quando comecei a fazer terapia me convenci que a culpa não era minha e comecei a lidar melhor com toda a situação” diz Anne.

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Fica nítido que o impacto que a doença causa na vida dos pacientes é muito negativo. Ter sucesso no tratamento é a causa de grande alegria nos pacientes,
porém, a doença deixa marcas psicológicas, principalmente quando existem seqüelas provindas da mesma. A grande maioria, mesmo após a eliminação do tumor, relata sentir medo de sofrer com a doença novamente.  “Na fase pós-tratamento, pode haver dificuldade em se traçar planos para o futuro, dificuldade nos relacionamentos, desejo de fazer exames de seguimento mais do que o necessário. O receio da doença voltar é frequente, alguns estudos mostram que até 70% dos pacientes relatam medo da recidiva, e ele não é irracional. Todos esses sentimentos podem gerar sofrimento, que é diferente daquele que é físico. Ele é menos palpável e mensurável, mas pode ser intenso e devastador”, afirma a oncologista Rosely Yamamura. Ansiedade e insegurança também são sentimentos que costumam acompanhar os pacientes. Esta é mais uma das questões que devem ser tratadas e acompanhadas em terapia.  “Eu tinha medo de metástase, de recidiva. Agora estou melhor, mas ainda trato na terapia essa questão do medo, o medo da incerteza. O câncer não é mais um problema para mim, eu falo sobre a doença. Mas, também não é uma coisa neutra, me causa dor. Como todo paciente ainda me sinto paciente. Talvez porque eu ainda tome medicação e faça acompanhamento. Quando me perguntam se estou curada digo que faço tratamento para o câncer não voltar” conta Anne.

A Psico-Oncologia é tema de diversos estudos atualmente, por ter um grande potencial na melhora de qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com algum tipo de neoplasia. No encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia, foram apresentadas três análises de caso.

Um dos estudos foi feito com pessoas que passaram por tratamento de câncer de mama, de intestino e melanoma e estavam livres da doença. Elas fizeram cinco sessões de terapia os resultados mostraram que a intervenção psicológica reduziu significativamente o medo de recidiva do câncer, houve melhora na qualidade de vida e diminuição da ansiedade e angústia.

O segundo estudo, feito com pacientes que tiveram diagnósticos recentes e iniciaram o tratamento oncológico, mostrou que o programa de apoio psicológico melhorou a qualidade de vida dos pacientes e reduziu os níveis de sofrimento.

O terceiro avaliou o impacto do apoio psicológico em pacientes com câncer em fases mais avançadas. Naqueles que tinham sintomas depressivos, houve redução dos mesmos. E nos que não tinham sintomas depressivos, houve diminuição da incidência de depressão.

Pensando em tudo isso, o Instituto Amor e Vida possui estrutura e profissionais qualificados para oferecer aos pacientes uma melhor qualidade de vida, fornecendo, inclusive, o tão importante atendimento psicológico.
 
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O Instituto Amor e Vida foi fundado em 05/03/2007 e reconhecido como Utilidade Pública Municipal em 05 de Junho de 2009, com o objetivo de apoiar pessoas portadoras de câncer e seus familiares, empreendendo apoio humano, emocional, econômico e material. Contamos com sua ajuda para mantermos o nosso trabalho: